sábado, 7 de setembro de 2013

Na espuma.



A cerveja desce
em goles secos.

Os corações na sargeta,
pisados, ancorados
no destino dos passos
errados, rápidos,
ríspidos. Amor é uma
palavra pequena,
cabe em qualquer boca.
Cabe no beijo roubado,
sempre na ponta
da língua molhada.

Escapulo no arco
da vida, na flecha
do dia apontada
pelo cupido. A velha vida
adiada fica
mais próxima, a vida
antiga
agita
e grita
na mesa.

Eu torno mais um 
copo que
desce em goles secos.
Não decido
à última hora.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os Dragões conhecem o paraíso.



Inaiza.

    Acho que você gostava de me ver pintado de palhaço. Meus olhos inchados de lágrimas que você me mandou não soltar. E o sorriso pintado, vermelho sangue. Só daquela vez me vi assim, dentro do meu próprio horror. Chamando atenção pela cor, eu sempre invisível pra mim mesmo. Mas olha, guria, só você. 
    Te escrevo por entender. Não que eu me entenda, ou que você me entenda, ou que me faça entender por escrito. Mas por entender, tão somente. E a poesia disfarça comigo. Me vi com o corpo feito garganta, pra ser voz. A pele pedindo libertação de mim, livre da total dependência da confissão em primeira pessoa. No silêncio, sem o suicídio da palavra e na presença de um fôlego manso, vi teus dragões - tão coloridos e teus. Eu, sisudo, ressentido pra sempre por ter nascido - esse era um alvo certo seu, quando brigava comigo -, desaprendi a sorri com os dentes. Sorrio com os lábios, tão somente. Ou com os olhos. 
    Te escrevo num instante. Involuntário. Escrevo lembrando dos teus livros de auto-ajuda, tua cara de segunda-feira - é muita ironia se dar bom-dia numa segunda -, das nossas ressacas de café e gargalhadas. Ficava besta te vendo trans-formar essas frases de altar-de-bar em pequenos post-its diários, quase pílulas de sanidade. Me transtornava com teu sentido sagrado introvertido e profundo. Era a partir dele que tu batia de frente com meu saudosismo, meu orgulho - se tu não quebrar essa redoma, menino, eu mesma quebro. Verdade espantada e espantosa: eis que sinto que.
    Te escrevo também o que pensei e não escrevi. No escândalo do teu sotaque arrastado, cantando as mais altas dores nas madrugadas. Até os desvios em vão - desvãos. Puro estado clariceano, com flores da Cecília que tu me deste - teu último presente, todo grafado. Ganhaste meu presente no meu aniversário. E sabe: não tenho conseguido viver um dia por vez, nem mesmo um por semana. Permaneço naquela fatalidade inócua que me conheceu. Quero dizer: sem descrever espelhos.
    Te escrevo insistente. A lua cheia é uma insônia. Entorpece como amor. Respiro ofegante, atropelando o vento. Cortando suspiros no meio, pra não escapar saudade. Autossuficiência sempre foi um nervo desligado de mim. À flor da pele, mesmo, só aquela pressa solta de ter-ser tudo ao mesmo tempo. Descobri, olha só, que nasci no século certo, no tempo certo - no tempo da preguiça. Exposto às intempéries e tudo o mais, me debato intolerável no claustro que só tu, por mais ferida que estavas - e olha que advinhávamos um ao outro e outro ao um em pouco menos de alguns minutos -, desafiava e entrava sem perguntar, jogando o casaco na sala e dando abraços com os dentes rangendo.
    Te escrevo existindo. Você me disse que, um dia, me daria a mão e me levaria para fora disso que eu construí. Você me  fez belo, me fez maldito, me cantou, me encantou. Sempre pensei que você nunca teria como cumprir tudo o que você me disse. Impossível.

 E veja só - eu estou errado. 

domingo, 11 de agosto de 2013

Abstinência.


A felicidade é uma cartada. A final, talvez. Talvez seja uma carta na manga, uma hora qualquer. Num golpe de vista, toda a procura se esvazia. Fica só o caminhar esvaído. A centelha cintila, mas fagulha. Na solidão de palidez monástica, um fôlego ignorante insiste. Insiste em mim. Insiste no sorriso forçado, na conversa involuntária e póstuma aos goles de café. Insiste na minha peregrinação urbana constante, nas andanças que cansam o corpo e consomem a alma. Chega a ser obsceno como se insiste na insuspeita. 
Incendiadas, todas as possibilidades pululam. O inventário: lembranças dilaceradamente vivas, nem tão longínquas; a vida flui rápida demais. Clandestina é a felicidade, secreta talvez. Tardia. Tão completamente embriagante que turva a visão. Destilada, duplo malte. O calendário se faz relógio: os dias ampulhetam. Sem temperanças.
Não se abstém. A sensibilidade não é termômetro. Às cegas, todas as juras enfeitam as palavras. Rasga-se a tranqüilidade, um diário envelhecido. Sujam-se as cobranças como o falso mel da candura. Descaminha-se, se desconversa. A insistência é quase um auto-exorcismo da honestidade. Se entorpecer de calma é privar-se da paixão. Aniquilar a entrega freia os instintos. A solidão da felicidade é incompreensível.
Inventando para si toda a sorte de acontecimentos e privilégios, mexe-se na infância, no olhar, no sexo, nas mágoas, nos desesperos, nos tormentos. A epígrafe da felicidade é escrita no sorriso. A vontade descabida aborta as lágrimas. O lirismo embasbacado, a completude bêbada – oscilam as obsessões. Descansam na prateleira do silêncio os verbos mais intransitivos, mais intransitáveis. Não existe amor na felicidade.
Engasgada pela náusea do tempo, a memória não reabilita os afetos. A felicidade impossibilita que se tateie outro corpo. Cruel, se satura permanentemente. Seu pulmão é o egoísmo. O equilíbrio delicado dá lugar a uma áspera sonolência – o coração volta a ser um órgão. Apenas sabe-se que bate. Mal se advinha a face feliz.  

Meu coração faminto apenas rebate. Meus sorrisos amassados. Uma tatuagem em nanquim. Minha felicidade não alivia. Minha felicidade é um cupido gótico, de asas angelicais, espartilho e sorriso sussurrado.

domingo, 4 de agosto de 2013

Ode ao café.


O café é inevitável. Ele é a verdadeira crônica. Crônico. Uma verdadeira literatura em pó. Durante as xícaras, somos hipocritamente imortais. Um e outro gole amargo para desfazer o agridoce do bom dia. Um vício sinuoso. Ainda acumulado de sono, deslizo me oferecendo ávido para aquele pó preto. Duas colheres cheias, e uma de açúcar. No último gole, o que fica atravessado na garganta é o cotidiano.
É um ritual. Com o perdão da pieguice subjetiva, errá-lo traz uma carência sem precedentes para a história do dia. O gosto do café no beijo de despedida é quase uma obscenidade: a língua escorrega com lascívia em direção à outra. Fica a sensação de beijo tardio, que deveria ter sido dado há minutos atrás. As mãos, ressecadas de carinhos antigos, seguram a xícara com a firmeza de quem afaga os cabelos. Os olhos sibilam desnecessários, vagando entre as bandagens pós-modernas e sendo cúmplice de certa invisibilidade matinal.
No meio da manhã, da tarde, da noite, da guerra, da madrugada, da sala, do quarto, da fome, o inelutável. A sede de café rasga, queima. Não se adivinha o café. Sem escapismo nem medo, a longa e áspera solidão do cafezinho destrona a solubilidade das próprias esperanças. Austera e cruel, a boca que se enche nos goles procura uma outra boca funda e úmida, também desenganada pela hipocrisia imortal.
Assim como o cigarro, e ainda mais do que ele, o café é um instrumento do silêncio. O líquido manipula os lábios, a língua, os dentes, o hálito. Tudo o que sobra – e quanta responsabilidade nisso – são os beijos. Tão intensos, quase tão místicos quanto a sensação de areia seca antes deles. É sim intuição. É todo esse alvoroço químico-místico que vira furacão numa fração de segundos. Segundos contados a goles. E o tempo crispado nas mãos, dissolvido junto na xícara.

Na impiedade dos jornais atirados nas calçadas, das ressacas etílicas e emocionais, na relutância das roupas penduradas nos armários, no embuste dos compromissos adiáveis e odiáveis, no inconsolável momento de deflagração apaixonada do olhar de quem ama – o café é o afeto mais forte do dia. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A Divina Comédia.

    
    Se o inferno são os outros, é inaceitável que eu mesmo seja um paraíso qualquer. Errante, passo uma temporada no inferno não como retardatário, mas como habitante. Aqui, é como se tudo se suspendesse, e algo latejasse incessantemente - a carne revirada, crepitada pelo desejo. Todos os vinhos correm pelo sangue, toda a vida aberta ao derramamento do sangue bombeado pelos olhos. Observo os bêbados: abençoados sejam por permitirem a fluidez. 
    A amargura da beleza se põe como o sol - o poente de uma veia esticada pela morte. Ridicularizado, o riso febril da passagem abre o festim do desespero contemplado - embriaga. A origem gótica do sofrimento. A ancestralidade da solidão compactada num corpo desprovido de profundeza. Perdido no plano da pele, vagava senil a poética crueldade, tão crua e áspera que era o abjeto de deus. A perdição crua era sublime: a revolta violenta do corpo contra o espírito intempestivo. Ímpeto e fúria, romantismo exacerbado, a fundação da nova sensibilidade como envenenamento dos sentidos. 
    O inferno pelo orgulho, o inferno pelo amor, o inferno pelo ódio, o inferno pela doçura, o inferno pelo silêncio, o inferno pela fatalidade. A sinfonia da marcha fúnebre numa ópera transformada em batimentos cardíacos. O pântano libidinoso da carne humana lacerada pelas mais variadas e desvairadas bocas, a confissão delirante dos afetos tatuados e envolvidos em si mesmos, a delicadeza da mentira roubada dos céus, feito asa para voar sobre a moralidade. Num sussurro mortal, todas as outras vidas estão condenadas, nenhuma outra é possível. A tristeza desconhecida é o punhal da mão esquerda que mata a alegria herege. 
    A figura humana desprovida de segredos, tão imponente e vagabunda que a liberdade se fez província. Assustadora e visceral, provoca o assassínio das imagens. Cada vez mais distantes, sem glórias vãs nem patéticas saudades amistosas. A poesia é uma maldição concreta. O silêncio escrito, a geometria da vertigem desenraizada. As lágrimas são sêmen, todos choram o gozo. O sexo é o mais alto posto. O horror do divino, a invenção dos instintos, a profanação dos mistérios. Minha solidão matou a morte. 

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Carmen Maura e Marisa Paredes perderiam pra mim.


Sim, sou uma das mulheres do Almodóvar. Mas as ultrapasso em dramas e crônicas. Quente, forte, à beira de um ataque de nervos, histérico que sofre de arte crônica - um mau hábito, talvez. Meus segredos floreados, flores de túmulo, flores do meu corpo. Em pele e em pelo, arrepiado. Daqueles que não disfarçam o incômodo sem transformar-se numa estátua de sal. Uso o salto alto das palavras, de onde componho meus melodramas - seja esburacando minhas entranhas e atirando-as, seja implodindo os ossos do ofício a cada vez que me dedico. Flerto com a loucura sustentando a violência dessa paixão descarnada, expulso os amores para a pele - eles me sufocariam se permanecessem incólumes. 
Carrego a alma assim. Sem maquiagens exóticas - no choro, o que borra é o rímel do tempo - nem pesadas, não sei esconder minhas fatalidades. Meus afetos prismados, assim, incontroláveis e espalhafatosos são arrogantes de tão brutais. As cores berrantes se encontram diluídas no meu sangue, nota-se pela palidez vanguardista da minha cor. Não choro pelas partidas, mas desespero pelas ausências. De constância, só esse enredo almodovárico. Não, não sou estável. Nem um pouco. Sou um perpétuo indolente, que oblitera a vida para sangrar à arte. 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Inferno Outro.


Você não precisa de mim. Tenho aceitado à cada pôr do sol. E a cada nascer do sol, a iluminação da minha impossibilidade. Não sei dos teus passos, dos teus olhares, dos teus prazeres, das tuas vontades, dos teus anseios, dos teus orgasmos, dos teus ódios, das tuas distâncias, das tuas vaidades, dos teus medos, da tua felicidade. E por mais que me faça teu, nunca serei teu vício. Para mim, egoísta, te basta me ter – te satisfaço ao me oferecer. Alimento-me da tua voz, dos teus abraços, dos teus olhares para mim, das tuas mordidas e tapas que me selam dentro de mim, cada vez mais teu. E o medo sobrevém com a certeza de que bebes em outras fontes, tua vida tua encontra outros corpos que te oferecem prazeres altos, gritos formatados pelo teu desejo. E me contorço, ardo em desespero – não te devotas a mim. Tuas ironias com outros, tuas fantasias delirantes onde nem minha sombra se inclina, as brincadeiras escorregadias que te deslizam: não impeço, nem à revelia do meu próprio despudor. Meu amor não te consome. Mas posso te matar. Sufocada com meus excessos, inclusive esse. Por mais que aceite o fardo da distância, me será inaceitável conduzir meus dias sem as tuas aproximações e confidências. Mas há outros olhos, outros ouvidos, outras bocas, outros braços. E não impeço. Não tenho desculpas, apesar das vontades. Nem posso buscar. Não impor minha procura, minha desesperança cardíaca a bater caoticamente atrás de ti. Minha solidão se disfarça nas horas nuas. Enlaço tuas pisadas, tuas risadas (mesmo as provocadas por alguém) nos meus carinhos invisíveis, desenhados na fumaça do teu cigarro. Meu coração selvagem e hostil, intumescido por tua saliva, na latência muda que desobedece. Minha sagrada incompletude, oblíqua por reclamar espaço e toque, a falta tátil ontológica que me absorve. Ando como exilado do meu próprio corpo, expulso pelo silêncio que oscila entre as chamas da minha própria ilusão. Sou teu inferno. Teu demônio que assombra na própria sombra. O grito que silencia a dor, e faz ouvir a insurreição do tempo que corrói por dentro da carne. O anjo caído que desfalece os desejos e inebria o peito. 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ela se vestirá para mim neste festival.


Em silêncio, a voz embargada. Algo tão nosso que nem precisa invadir o mundo alheio para ser ouvido, ou sentido. No deslize dos sustos maquiados, a fumaça dos cafés quentes dispersando o tanto de frio. Os lábios finos contornando o cigarro, desenhando um batom inexistente que eu teimo em contornar. Fumo e aroma sustentando nossa névoa. Cenas diárias cortadas como um frame de um filme que vive em cartaz na antessala do amor. O vestido de rendas dá vazão à desejos: vazam meus olhos passeando desenfreadamente pelos traços do seu corpo vestido. Adentro seus poros, e me dispo - das roupas e das distâncias. Imerso já na saudade dos próximos instantes - não por antecipação, mas por nudez que desespera a própria solidão -, trocamos as bocas, sem mentiras. As línguas não professam, não falam: estão muito ocupadas no seio de suas próprias sedes. Os olhares se solubilizam, abandonados na liberdade sem fim dos solos de blues. Esculpindo a luz, porque até a sombra precisa dela para ser viva, com a fraqueza da certeza e a franqueza das mordidas, ela se troca. Se troca, se despe, se veste, se gargalha, se soluça, se versifica, se poetiza, se ama e me ama. Tanto. Nossa sinfonia de amor e pranto, nossas fotografias em branco espanto, nossas delicadezas atrevidas: tudo desabafado no decote dela e nos botões da minha camisa.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

All lips go blue.


Todos os sorrisos fadados a serem dados ao espelho. Todas as imagens escorridas pelos poros. Todos os abraços vomitados à sede de si mesmo. Todos os beijos sofregamente bebidos - a saliva do outro a saciar a sede. Todos os olhares engolidos. Todas as palavras autistas. Todos os toques libertos. Todas as vozes jogadas. Todas as dores aproximadas. Todas as feridas canibalizadas. Todos os fantasmas amanhecidos. Todos os arrepios fornecidos. Toda a surpresa martirizada. Todo ódio crucificado por excelência. Todo costume sabotado. Toda serenidade plantada. Todos os carinhos habitados. Toda a distância feita sobriedade. Todas as perdições feitas vontade. Todas as fugas tragadas. Todos os sonhos dopados. Todos os silêncios embriagados - passos bêbados. Todos os reflexos nauseados. Todos os sonos cansados. Todos os mundos por desistência. Todas as texturas atiradas. Todos os desejos clandestinizados. Toda a fome feita corpo. Todo o corpo feito fome. 

Todo excesso por sobrevivência. 

sábado, 1 de junho de 2013

Afecção.


Agora. Nem a marca de batom na xícara. Nem o copo meio álcool, meio água, meio gelo que já derreteu. Surpreende-me a caleidoscópica ironia nos entrelaçamentos da vida. Vultos e voltas, carinhos crucificados - a coroa de espinhos no pé. Ando tonto. Equilibro nem minhas vontades. Distorcidas, extremas, entranhadas. Meu corpo é vontade. Meus prazeres não são sentidos por mim. Desejo único de ser vontade de outro, desapegar da minha pele para vestir tristonhamente os afagos e carícias eminentes. Deitado no seio, meu leito, ufanar o peito na entrega viril de mim mesmo. Meus nascimentos vomitados, entre a saliva levada de uma língua à outra. Ao avesso, sou o verso desfeito de verdade. Porque a verdade sou eu, o egoísmo que encontra seu batismo na consumação, nas mordidas. Persigo o mesmo poema, sem viver a mesma prosa - meu prosaísmo rompido. Acuso-me dos crimes passionais: dos ódios originários às refinações dos orgasmos. Volume reinventado para ser explodido em olhares, medo refeito para ser enfrentado pelos dicionários. Sou solitariamente equivocado por não dever nada a ninguém. Nem a mim mesmo, que não existo. Nas linhas matizadas, ando na corda bamba do hábito. Nas músicas, sou a guitarra que solta um solo longo, dolorido e o grito que arrepia - a voz em brasa. Inflamo, inflamo ao ressoar funebremente as últimas notas do solo. Ali, naquela agulha rompendo a pele, naquela tragada, na fumaça, no cinzeiro: sou a infusão daquilo que não dorme. O estupor da pronúncia, o desespero de ser minha própria sílaba.  
Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.